Teste ergométrico: mitos e verdades

O teste ergométrico nos diz como nosso coração se comporta durante o esforço. O indivíduo é submetido a sobrecargas cada vez maiores, enquanto sua pressão arterial e seus batimentos cardíacos são monitorados. A partir da resposta à esses sinais é possível descobrir:

  1. Nível de condicionamento físico;
  2. Presença de isquemia (falta de sangue)

Existem dois tipos de teste: máximo e submáximo. São geralmente realizado em esteira ou bicicleta ergométrica.

Teste máximo

Só pode ser realizado com a presença de um médico ou por ele próprio, em função dos riscos envolvidos. 

O indivíduo é levado, como nome já diz, à sua máxima performance. As sobrecargas vão sendo aumentadas gradativamente até que se chegue à exaustão. A utilização de eletrocardiograma durante o teste é obrigatória. O valor da freqüência cardíaca máxima será aquela onde o teste for interrompido. A interrupção do teste se dará por exaustão, por presença de alterações no eletrocardiograma ou por comportamento inesperado da pressão arterial. É necessário escolher o protocolo adequado de teste para cada indivíduo considerando principalmente características como nível de atividade/sedentarismo e cardiopatias. Existem alguns locais que realizam o teste máximo até que a freqüência cardíaca atinja o valor predito pela idade (220-idade), neste caso não temos um teste máximo verdadeiro uma vez que sabemos que o coração pode bater mais do que 220x por minuto e essa fórmula nos dá um valor aproximado, dependendo do caso com uma margem de erro grande.

Teste submáximo

Pode ser aplicado por qualquer profissional da área da saúde, é geralmente feito nas academias pelo Educador Físico.

O indivíduo é levado a atingir cerca de 85% da sua freqüência cardíaca máxima predita(calculada 220-idade). As sobrecargas serão aumentadas gradativamente até que se chegue à exaustão. O valor da freqüência cardíaca submáxima será aquela onde o teste foi interrompido. O teste será interrompido quando o indivíduo chegar à exaustão, o valor da freqüência cardíaca atigir 85% da freqüência predita ou a freqüência cardíaca e a pressão arterial não tiverem um comportamento esperado.
 

Como utilizar os valores obtidos em ambos os testes:
Durante os testes são coletados valores de freqüência cardíaca e de pressão arterial relacionados à determinadas cargas. Determina-se os valores de freqüência que se deseja trabalhar em função do objetivo do indivíduo. Calcula-se esses valores através de uma fórmula matemática, verifica-se qual a sobrecarga utilizada para atingir a freqüência desejada.

Para refletir…
Qual o valor do teste submáximo?

Na minha opinião, apesar de ser largamente realizado em academias, é perda de tempo! As justificativas para realizar o teste são por questões de segurança (problemas cardíacos) e para verificar o nível de condicionamento.

  1. Segurança: como não é realizado com a utilização de eletrocardiograma, não é possível detectar alterações cardíacas…mas vamos supor que o eletrocardiograma esteja sendo utilizado neste teste (algumas academias possuem o equipamento), o indívíduo será levado à 80% da sua capacidade máxima, mas imagine que a isquemia apareça em 85%. Ela não será detectada no teste, pois este será interrompido antes e existem diversas atividades na academia onde trabalha-se com a freqüência acima dos 80%.
  2. Condicionamento: é impreciso.

Soluções:

  • Solicitar um teste ergoespirométrico, se não for possível um ergométrico máximo (que não utilize 220-idade!!!)
  • Realizar um teste de lactato, para verificar os limiares (melhor que o ergométrico máximo para determinar a faixa de treino)
  • Aplicar o questionário RISKO. Aceito internacionalmente avalia o risco de problemas coronarianos, liberando (ou não) para a prática de atividades físicas. No caso da não liberação, vincular o início das atividades com a apresentação de atestado médico.

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  1. [...] composição corporal, testes de força e teste ergométrico submáximos (que eu sou contra, leia aqui). Ocorre que, em alguns casos, nossos alunos sofrem de alguma doença que exige uma avaliação [...]
  2. Airton Scarela disse:
    Dra boa tarde,

    Recentemente fiz uma cintilografia de perfusão miocardica com teste ergometrico, com o seguinte resultado:

    Hipocaptação transitoria nas paredes anterior: nos segmentos medio e basal e parede apical.

    A analise funcional evidencia hipomotilidade da parede septal do ventriculo esquerdo. Fração de ejeção do ventriculo esquerdo = 58%

    A alteração descrita sugere isquemia estresse induzida nas paredes citadas.

    No teste erqometrico a frequencia cardiaca máxima atingida foi 129 (ao invés dos 170 para a minha idade – 50 anos).

    Pergunto: o resultado da cintilografia é normal ? é normal também não atingir a frequencia cardiaca máxima ?

    Aguardo retorno e obrigado.

  3. Respondendo para o Airton

    Oi Airton!

    Não sou Dra, sou Profa!!!
    O resultado do seu exame não é normal. Converse com seu médico para obter mais informações.

    Um abraço

    Profa. Esp. Denise Carceroni

  4. Roberto Pires disse:
    Achei importante a resposta pois alerta o paciente para conversar com o seu médico. Pode salvar uma vida. abçs
  5. Fernando davila disse:
    Minha idade é 28 anos. Realizei o teste ergométrico na esteira utilizando o protocolo de Bruce. Demorei 15 minutos para atingir a frequencia de 191 bpm. O médico concluiu que o teste ergométrico foi normal para avaliação de insuficiência coronariana esforço induzido, ausência de arritimias, comportamento fisiológico da pressão arterial, pressão arterial normal, aptidão cardio-respiratória excelente e excelente preparo físico.

    Considerando a margem de erro existe a possibilidade do meu exame estar errado?

  6. Respondendo para o Fernando

    Oi Fernando!

    Não dá para responder sem ver o teste inteiro, mas imagino que esteja correto. O protocolo de Bruce é usado para pessoas treinadas e 15 min para atingir a FC máxima predita é até mais tempo do que o ideal que fica entre 8 e 12 minutos, o que poderia denotar um bom preparo físico.
    Se estiver na dúvida, refaça o teste com outro médico e compare.

    Abraços

    Profa. Esp. Denise Carceroni

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