O chocolate é um dos alimentos mais controversos da nutrição moderna, celebrado como um superalimento pelos possíveis benefícios ao coração, ao cérebro e pelo seu poder anti-inflamatório, mas também criticado como uma guloseima açucarada e gordurosa, fácil de exagerar no consumo.

De acordo com a nutricionista Julie Stefanski, porta-voz da Academy of Nutrition and Dietetics, a pesquisa em nutrição já é complexa por natureza e com o chocolate, fica ainda mais. “As diferenças no estilo de vida, na alimentação e em fatores individuais, como genética ou condições médicas, fazem com que os resultados nem sempre se apliquem a todas as pessoas”, explica. Além disso, o termo “chocolate amargo” pode significar muitas coisas em diferentes estudos: desde pó de cacau e suplementos até barras industrializadas, o que dificulta bastante a comparação dos resultados.

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3 motivos para comer chocolate amargo

Será que o chocolate faz mesmo mal à saúde? Boas notícias para os apaixonados por doce: ele pode trazer, sim, benefícios.

Os cientistas concordam em um ponto se há algo de saudável no chocolate, o mérito é dos flavonoides, compostos vegetais que podem proteger o coração, melhorar o funcionamento dos vasos sanguíneos e reduzir a inflamação.

Essa descoberta vem direcionando novas pesquisas sobre o chocolate, especialmente em relação a como os flavonoides podem ajudar a desacelerar o processo de “inflamaging”, a inflamação crônica e de baixo grau que aumenta naturalmente com a idade e está ligada a doenças cardiovasculares.

“O grande ponto é entender como isso acontece”, explica Howard Sesso, epidemiologista da Harvard Medical School e autor de dois estudos recentes sobre o tema.

Segundo ele, a ciência está cada vez mais próxima de desvendar esse “como”, e isso pode ajudar as pessoas a entender de que forma o chocolate pode, sim, fazer parte de uma alimentação equilibrada.

Como os flavonoides reduzem a inflamação

No estudo mais recente de Sesso, publicado em setembro, pessoas que tomaram um suplemento diário de flavonoides de cacau por dois anos apresentaram níveis significativamente menores de proteína C reativa (PCR), um marcador de inflamação associado a doenças cardíacas, em comparação com quem recebeu placebo.

Esse dado ajuda a explicar por que participantes do estudo COSMOS (COcoa Supplement and Multivitamin Outcomes Study), que utilizaram o mesmo suplemento, tiveram 27% menos risco de morrer por doenças cardíacas.

“Não é apenas sobre o cacau, mas sobre como os flavonoides em geral, encontrados em vários alimentos, podem melhorar a inflamação”, afirma Sesso.

A explicação pode estar na função vascular: melhorar o fluxo sanguíneo ajuda o corpo a controlar processos inflamatórios e manter os vasos mais saudáveis com o passar dos anos. Se os flavonoides do cacau realmente reduzem ou retardam o aumento da PCR ao longo do tempo, ou, como dizem os cientistas, melhoram sua “trajetória”. Isso pode justificar a relação entre o consumo de cacau e a saúde cardiovascular.

Ainda assim, os resultados vêm com ressalvas: quatro outros marcadores de inflamação não apresentaram mudança. “Portanto, não é uma vitória completa”, reconhece Sesso. “Mas é um sinal interessante.”

A principal lição sobre alimentação saudável

A alimentação tem um papel essencial na saúde e no envelhecimento. A inflamação é regulada pelo sistema imunológico e cerca de 70% dele está no intestino, lembra Stefanski. “Por isso, olhar para a qualidade dos alimentos e cuidar da saúde intestinal é fundamental.”

No estudo, os participantes consumiam 500 mg de flavonoides de cacau por dia, mas você não precisa seguir exatamente isso. O mais importante é adotar mudanças sustentáveis e realistas, que façam sentido no seu dia a dia. Se você gosta de misturar cacau em pó no café, ótimo. Se não, aposte em outros alimentos ricos em flavonoides, como frutas vermelhas, chá verde e uvas roxas.

“A mensagem principal”, resume Sesso, “é priorizar uma dieta variada e baseada em plantas.”

E se você ama chocolate, pode continuar com ele, com moderação. “Nem tudo o que comemos precisa ter uma justificativa nutricional perfeita”, diz Stefanski. O segredo está na dose: até 30 a 60 gramas por dia, o equivalente a um quadradinho de barra, é o suficiente para aproveitar o prazer e, quem sabe, alguns benefícios.

Texto traduzido de: WebMd