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Jogos Paralímpicos: guia de classificação funcional – como é feita a divisão dos atletas

Nos Jogos Paralímpicos os atletas são divididos em algumas modalidades por sua classificação funcional. Essa divisão consiste em um complexo sistema que procura dar igualdade de condições uma vez que competem atletas com deficiências variadas. Essas diferenças não se referem apenas ao óbvio, como separar uma prova de atletismo de deficientes visuais da mesma prova feita por amputados, mas também ocorre dentro de um mesmo tipo de deficiência, por exemplo um amputado na altura da coxa é diferente daquele abaixo do joelho. Cada esporte possui seu próprio sistema de classificação o que aumenta ainda mais a complexidade.

Veja agora cada uma das modalidades dos Jogos Paralímpicos e suas classificações funcionais.

A regra geral é quanto maior a deficiência menor a classe.

Atletismo

Provas de campo – arremesso, lançamentos e saltos
F ? Field (campo)

Provas de pista – corridas de velocidade e fundo
T ? track (pista)

Basquetebol em Cadeira de Rodas

Equipe masculina e feminina. Em nenhum momento do jogo, as equipes poderão estar em quadra com times cujos jogadores excedam o valor total de 14 pontos, considerando nesse somatório o valor definido para o grau de deficiência de cada um deles, conforme segue:

A– Estabilização passiva do quadril (sem mobilidade)

B– Estabilização ativa do quadril (com mobilidade)

Classe 1: Pouco ou nenhum movimento do tronco para frente. Não realiza rotação do tronco. Equilíbrio látero-lateral e ântero-posterior prejudicado. Uso dos braços para voltar à posição vertical quando perde o equilíbrio.

Classe 2: Movimento parcial do tronco para frente. Rotação ativa da parte superior do tronco, mas sem função inferior. Sem controle de movimentos  laterais.

Classe 3: Boa movimentação do tronco para frente. Boa rotação do tronco. Sem controle de movimentos laterais.

Classe 4: Movimento normal do tronco, com dificuldade de movimento para o lado (devido a limitações em um dos membros inferiores)

Classe 4,5: Movimento normal do tronco em todas as direções. Capaz de movimentar-se sem limitações para os lados.

Quando o atleta não se encaixa em nenhuma classe específica, atribuí-se 0.5 pontos a mais. Por exemplo o atleta apresenta mais capacidade de se movimentar do que a classe 2 e menos do que a classe 3, então recebe 2.5 pontos.

Leia a regra completa aqui (PDF em inglês)

Bocha

No início, era disputado apenas por pessoas com paralisia cerebral severa e um grave grau de comprometimento motor (quatro membros afetados e uso de cadeira de rodas) ? hoje, está aberto a pessoas com deficiências similares a um quadro de tetraplegia.

É permitido o uso das mãos, dos pés, cabeça, de instrumentos de auxílio e até de ajudantes para as pessoas com grande comprometimento nos membros superiores e inferiores.

Esgrima em cadeiras de rodas

Podem disputar a Esgrima em Cadeira de Rodas apenas pessoas com deficiência locomotora, as mais comuns são as amputações, paraplegias, má-formação congênita e acidentes vasculares. As classes são divididas de acordo com o equilíbrio de cada atleta na cadeira, e a condição do braço que empunhará a arma.

Classe 4: Atletas com bom equilíbrio sentado, com o apoio dos membros inferiores e braço da esgrima normal, por exemplo, com lesão abaixo deficiência L4 ou comparável (ensaios 3 e 4 positivos com pelo menos 5 pontos). No caso de lesão cerebral, ou mesmo no caso de dúvida, é necessário para completar a avaliação a observação do atleta na prática. O envolvimento dos próprios atletas no procedimento de classificar é mais importante, o que de fato a assinatura do atleta (ou técnico) fornece, no âmbito da comissão de classificação.

Classe 3: Atletas com bom equilíbrio sentado, sem suporte de pernas e braço da esgrima normal, por exemplo, paraplégicos
a partir de D10 para L2 (Testes funcionais 1 e 2 positivas – com pontuação 5-9). indivíduos com dupla amputação acima do joelho com tocos curtos, ou lesões incompletas ou acima D10, deficiências comparáveis podem ser incluídos nesta classe, desde que os pés possam ajudar na manutenção do equilíbrio sentado.

Classe 2: Atletas com equilíbrio pouco equilíbrio sentado e braço da esgrima normal, paraplégicos tipo D1  – D9 (testes funcionais
1 e 2 – não totalizando mais de 4 pontos) ou tetraplégicos incompletos com  braço da esgrima minimamente afetado e equilíbrio sentado bom.

Classe 1 A: Atletas sem equilíbrio sentado, que têm um braço deficientes. Nenhuma extensão de cotovelo eficiente
contra a gravidade e nenhuma função residual da mão o que torna necessário fixar a arma com uma bandagem. Essa classe é comparável ao antigo ISMGF 1A, ou tetraplégicos com lesões espinhais nível C5/C6. (vértebras cervicais).

Classe 1 B: Atletas sem equilíbrio sentado e braço da esgrima afetado. Extensão do cotovelo (mas não funcional), flexão dos dedos funcional. A arma tem de ser fixada com uma bandagem. Comparável ao tetraplégicos completo nível C7/C8 ou  lesão superior incompleta.

Leia a regra completa aqui (PDF em inglês)

Goalball

Goalball foi criado exclusivamente para pessoas com deficiência visual ? cegas ou com baixa visão.  Apesar da diferente classificação visual dos atletas, todos competem juntos e vendados para que ninguém fique em desvantagem.

Halterofilismo

Categorias masculinas e femininas, divididas pelo peso corporal de cada atleta, como no Levantamento de Peso Olímpico. A mais leve é a de 40 quilos para as mulheres, e 48 kg para os homens.

Participam pessoas com lesão medular, paralisia cerebral, amputados (apenas de membros inferiores) e les autres ? que engloba atletas dentro de diversas condições de deficiência, resultantes de doenças neurológicas, neuromusculares ou musculoesqueléticas, que se enquadram nos critérios mínimos de elegibilidade.

Hipismo

Nos Jogos Paralímpicos, o Hipismo é disputado apenas na disciplina Adestramento.

Judô

Praticado exclusivamente por deficientes visuais.
Os atletas são divididos por classes identificadas pela letra B (do inglês blind, cego em português):

Eles podem lutar entre si, mas existe ainda a separação por categorias de peso, que segue o mesmo padrão olímpico.

Natação

S (do inglês Swimming): Nados livre, costas e borboleta – com 10 classes funcionais.

SB (B de Breaststoke): Nado peito – com 9 classes funcionais.

SM: Nado medley – com 10 classes funcionais

Classes 1 à 10: deficientes físicos

Classe 11: cegos

Classe 12 e 13: baixa visão

Classe 14: deficientes intelectuais

Leia a regra completa aqui (em inglês)

Paracanoagem

Paraciclismo

Disputam as provas ciclistas com diferentes deficiências morfofuncionais, congênitas ou adquiridas, como amputações, tetra e paraplegia, paralisia cerebral e deficiências visuais. Se o atleta tem uma deficiência que não é permanente, ou não o impede de correr ao lado dos ciclistas sem deficiência, ele não pode participar de provas.

Provas de Estrada

Provas de Pista
  • B: deficientes visuais em bicicletas tandem.
  • C: Amputados – divididos em cinco classes
Leia a regra completa aqui (em inglês)

Paratriatlo

Remo

O equipamento é modificado de acordo com as necessidades dos remadores, para evitar o doping tecnológico, é limitado o uso de próteses e órteses durante a competição.

Os barcos são compostos por um, dois ou quatro atletas que tenham diferentes tipos de deficiência. Os remadores são separados em função dos membros utilizados para a propulsão da embarcação.

Nas provas do barco Quatro com Timoneiro, a composição da tripulação é mista, com pessoas que tenham deficiência física e visual, mas somente um deles B3 (pessoa com maior resíduo visual). O Timoneiro não precisa ser uma pessoa com deficiência, já que desempenha a função de guia, como acontece nas corridas de Atletismo.

Rugby em cadeira de rodas

Competição mista, homens e mulheres na mesma equipe, praticada por pessoas com lesão medular caracterizada como tetraplegia, ou paralisia cerebral, amputações ou deformidades nos quatro membros e sequelas de poliomielite, entre outros.

Os jogadores são divididos em sete classes, de acordo com a habilidade funcional, em uma escala que vai de 0,5 a 3,5 (quanto maior a classe, maior o potencial funcional). Cada equipe só pode ter quatro participantes em quadra ao mesmo tempo, e a soma deles em quadra não pode exceder oito, para manter o equilíbrio nas disputas.

Leia a regra completa aqui (em inglês)

Tênis de Mesa

Leia a regra completa aqui (em inglês)

Tênis em cadeira de rodas

A classificação funcional do Tênis em Cadeira de Rodas é menos complexa que a de esportes como a Natação. Os participantes são divididos por sua habilidade – assim, pessoas com quadro de amputações e lesão medular podem competir umas com as outras.

Tiro com arco

O Tiro com Arco paralímpico pode ser disputado por pessoas com amputações, paralisia ou paresia (paraplégicos e tetraplégicos), paralisia cerebral, doenças disfuncionais e progressivas, como a atrofia muscular e escleroses, com disfunções nas articulações, problemas na coluna e múltiplas-deficiências. Há eventos individuais e por equipes – três participantes em cada time.

Tiro esportivo

Atletas de diferentes tipos de deficiência podem competir numa mesma classe.

Vela

Atletas com deficiência física e visual podem competir em uma mesma embarcação, desde que respeitem os critérios de elegibilidade e pontuação estabelecidos pela federação internacional. Além desses sistemas, existem outras adaptações às regras das federações para as disputas da vela paralímpica.

Voleibol Sentado

No Voleibol Sentado competem atletas amputados, principalmente de membros inferiores, pessoas com outros tipos de deficiência locomotora (sequelas de poliomielite, por exemplo), com sequelas permanentes no joelho, quadril, tornozelo ou semelhante, e les autres ? neste caso, com certas amputações, paralisia cerebral, lesão medular e poliomielite.

 

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