Archive for the ‘Opinião’ Category
Centenário do Corinthians: faça parte dessa nação!
Amanhã o Corinthians comemora 100 anos. O Blog Fique Informa não poderia deixar de participar da comemoração do centenário do Timão.
O Corinthians entra para uma lista de times que chegam ao centenário, como o Flamengo, Fluminense, Ponte Preta, Grêmio, Vitória, dentre outros e a comemoração conta com várias ações, como o lançamento da camisa comemorativa dos 100 anos e o projeto República Popular do Corinthians. Maior do que muitas nações a Nike, fornecedora de material esportivo do Timão, criou essa campanha para reforçar a paixão dos torcedores.

No site da República Popular do Corinthians você pode:
- Anistiar seus amigos
- Tirar seu RG
- Emitir sua certidão de nascimento
- Baixar a Carta Magna
A iniciativa é bem divertida e vale a pena conferir, mesmo que você não seja Corinthiano!
Assista agora ao vídeo que conta um pouco sobre essa nação com mais de 30 milhões de pessoas.
Professor, educador ou profissional de Educação Física?
No próximo dia 1º de setembro, comemoraremos o dia do Profissional de Educação Física. Como faço há dois anos escreverei um post comemorativo (Veja dos anos anteriores aqui 2008 2009) que provavelmente ressuscitará a discussão semântica: educador, professor ou profissional de Educação Física?

Recebi duras críticas em 2008, por parte de alguns colegas que se sentiram realmente ofendidos pelo termo Educador Físico afirmando, inclusive, que este não existe, que o oficialmente reconhecido é professor.
Esclarecendo
Oficialmente usado pelo sistema CREF/CONFEF é Profissional de Educação Física, pois nem todos os graduados atuam como professores. Há muitas funções que são exercidas por graduados em Educação Física e que não implicam no ensino. Por exemplo, avaliador físico, coordenador e gerente de esportes (academia/clube), consultor em marketing esportivo, pesquisador, fiscal do cref, dentre outras funções.
No dicionário (clique aqui para ver), educador e professor são sinônimos usados para indicar aquele que educa. Na prática professor é o título usado por aqueles que cursam a licenciatura e costuma-se usar educador para as demais pessoas com ou sem curso superior que de alguma forma educam. Por exemplo, assistentes de berçario, de pré-escola, educador socio-cultural, psicólogos que atuam na área de educação, psicopedagogos, dentre outros.
Eu, apesar de ter me apropriado do título, pois assino como professora, sou educadora. Não fiz licenciatura, sou Bacharel em Educação Física. Apesar dar ministrar aulas, de educar meus alunos, não posso atuar na escola com Educação Física curricular. Sou professora de fato, mas não de direito!
Sem dúvida, o termo mais abrangente é Profissional de Educação Física, e provavelmente é o que motiva sua utilização pelo sistema CREF/CONFEF. Quanto aos outros dois (professor e educador), particularmente, não me incomoda que sejam usados como sinônimos, como está no dicionário. Para aqueles que se sentem ofendidos, use e peça para que se refiram à você pelo termo mais se identificar, só não esqueça que ele pode não ser adequado à sua formação.
Não é de hoje que questões semânticas permeiam nossa área, há quem defenda até que Educação Física não é o mais adequado. No final nomes são apenas, o que interessa é que possamos compreender o que eles significam se não acabaremos como o pai do Marcelo (do livro Marcelo, marmelo martelo, de Ruth Rocha) que não pode compreender a frase: “embrasou a moradeira do Latildo!”, quado o menino se referia a casa do cachorro que estava pegando fogo.
E você o que acha sobre esse assunto? Participe, deixe o seu comentário!
Como evitar furtos em academias
Semana passada, em uma das academias que trabalho, uma aluna foi furtada. Levaram R$ 50,00 de sua carteira, guardada na bolsa dentro do armário do vestiário. O armário não estava trancado…
Situações como essa são muito mais comuns do que parecem. E não pensem que isso ocorreu apenas porque o armário estava aberto, há casos onde ele é arrombado, como o relatado pela Folha Online, no caderno Cotidiano, em abril desse ano.

O ambiente da academia é especialmente favorável para esse tipo de crime. O aluno entra, coloca os objetos no armário, vai treinar e só volta, na melhor das hipóteses, após uma hora. Tempo suficiente para ocorrer o furto. Além disso é possível deduzir quem tem maior poder aquisitivo em função das roupas e do tênis usado, com alguns dias de observação é possível conhecer a rotina das pessoas, o volume de tráfego nos vestiários e até o horário em que é feita a faxina. Lembrando sempre que não é possível filmar o interior dos vestiários por questões de privacidade.
Providências que podem ser tomadas pela academia para coibir ações de furto
- Oferecer um cadeado, em embalagem fechada, no ato da matrícula.
- Manter câmeras gravando a porta dos vestiários para saber quem entra, quem sai e os horários.
- Oferecer armários pequenos, com chave, para os alunos guardarem pequenos objetos como chaves e carteiras, em local de grande circulação, como por exemplo a sala de musculação.
- Orientar para que não levem objetos de valor para a academia.
- Não divulgar nos meios de comunicação os vales que dão direito a frequentar a academia por até uma semana sem pagar.
- Tirar cópia ou escanear um documento com foto no ato da matrícula.
Providências que podem ser tomadas pelos alunos para não serem vítimas de furto
- Nunca usar os armários sem trancar com cadeado
- Não levar objetos de valor para a academia
- Não levar grandes quantias em dinheiro para a academia
- Não deixar malas e mochilas expostas enquanto toma banho
- Deixar sua carteira no fundo da mala, por baixo de roupas e toalha
Segurança nos esportes radicais: negligência pode ser fatal.
O caso do atropelamento de Rafael Mascarenhas, 18 anos, filho da atriz Ciça Guimarães, que resultou na morte do rapaz no dia 20 de julho, me fez refletir sobre a questão da segurança nos esportes radicais.
Durante seis anos (2000-2006), trabalhei com esportes radicais, primeiro como recepcionista e coordenadora de eventos em um ginásio de escalada em São Paulo, a Casa de Pedra e depois como professora de escalada para crianças em diversas escolas da cidade.
A primeira lição que aprendi na Casa de Pedra é que a segurança vem em primeiro lugar. No ginásio nada era feito sem pensar muito bem nas consequências, algumas vezes chegávamos a ser chatos com os clientes para que cumprissem com as normas do ginásio. Subir paredes sem equipamento de segurança só até uma linha amarela que demarcava uma altura de aproximadamente 3m, mesmo assim colchões deveriam estar posicionados em baixo e um colega precisava ficar próximo para auxiliar em caso de queda. Acima dessa altura só com equipamento homologado, que deveriam seguir normas internacionais. Para escalar no ginásio era preciso passar por uma instrução básica, crianças menores de 12 anos só acompanhadas e outras tantas regras que garantiam uma certa tranquilidade, ainda assim presenciei pequenos acidentes. Algumas quedas, torções, nada muito sério.
Na época em que trabalhei nas escolas, lembro-me do tempo que levávamos explicando para as crianças todos os cuidados que deveriam tomar, elas tinham uma boa noção do que não era seguro, uma checava o equipamento da outra e aprenderam que só podiam escalar em locais permitidos e sempre acompanhadas de um professor. Até os menores sabiam manusear os equipamentos e levavam muito a sério as questões ligadas à segurança. As turmas de adolescentes faziam saídas para a rocha e só confiavam um nos outros, se algum professor indicasse que o local era perigoso, a escalada, por mais legal que pudesse parecer, era descartada.
Esportes radicais levam essa designação por envolverem um certo grau de risco calculado, é a triangulação entre cálculo, percepção e gerenciamento dos riscos.
“Atividades ou eventos que têm incertezas quanto aos resultados ou conseqüências, em que as incertezas são componentes essenciais e propositais do comportamento”(Machlis & Rosa, 1990:162; in Spink 2001).”
Cada modalidade, seja de ação ou de aventura, conta com determinados equipamentos de segurança que podem não impedir os acidentes, mas os minimizam ao máximo. Na escalada, são cadeirinhas, cordas, mosquetões e fitas. No rafting, coletes salva-vidas e capacetes. No motociclismo, capacete e vestimenta em tecido apropriado. No surf, roupas de neoprene. No Skate, capacete, e protetores para joelhos, cotovelos e mãos e assim por diante.
Além do uso dos equipamentos, a segurança passa pelo conhecimento técnico, que envolve a própria prática, a avaliação dos equipamentos e do local onde a prática irá ocorrer. Como escaladora sei que cordas com mais de 5 anos, mosquetões com fissuras ou que não travam direito, fitas que foram abandonadas, devem ser descartados. Paredes com agarras soltando, com cordas mal fixadas ou com nós errados, não devem ser usadas. Locais onde pedaços de rocha se desprendem facilmente não devem ser escalados. E cada modalidade radical tem suas particularidades.
E o que dizer do skate? Será que um túnel, ainda que fechado ao tráfego, era um lugar seguro para a prática? Diferente de ruas que têm o tráfego interrompido para a prática de atividades de lazer, que são sinalizadas para tal, no túnel onde Rafael Mascarenhas e os amigos estavam andando de skate o uso desse equipamento ou de bicicletas era proibido, ainda que o tráfego estivesse interrompido para os carros. O túnel não era um local seguro para praticar esportes e seus praticantes deveriam ter levado isso em consideração. Rafael e seus amigos foram negligentes, o que não exime a culpa do motorista que estava trafegando em local proibido, possivelmente em alta velocidade,negou socorro, etc.
Antes de optar pela prática de esportes radicais, seja ele qual for, pense em todas as possibilidades e considere que realmente cada uma delas pode acontecer, faça o máximo que puder para minimizar as chances de algo dar errado, se estiver fora do seu alcance desista, pois nos esportes radicais, é assim: a negligência pode ser fatal.
Folha de São Paulo erra na sugestão de exercícios
Sempre que encontro uma boa matéria no Caderno Equilíbrio da Folha de São Paulo, uso como gancho para meus posts e não foram poucas as vezes que fiz isso, pois trata-se de uma publicação bem conceituada e com assuntos atuais. Quando o caderno do dia quatro de junho chegou em minhas mãos, fiquei entusiasmada, a matéria de capa era justamente sobre a área que tenho especialização: atividade física adaptada e saúde.
Com o título: “Na saúde e na doença” (clique aqui e leia na íntegra), o caderno equilíbrio chamava para conhecer os melhores exercícios para quem tem problemas como hipertensão, lombalgia, asma e osteoporose. A matéria começa bem, explicando que os exercícios podem melhorar a condição do doente e que quando bem direcionados podem fazer parte do tratamento. Ressaltam que além das condições individuais, deve-se avaliar o estado do distúrbio e as variáveis de cada atividade física.
O problema veio com a prescrição dos exercícios. Alguns acertaram na mosca, já outros…
Asma
A indiação foi correta: natação. Alertaram para os cuidados com a alergia que o cloro pode causar, sobre a intensidade do exercício e a contraindicação durante as crises. O erro apareceu nas opções de atividades, uma das sugestões foi a corrida. Salvo em casos leves e condições muito bem controladas o asmático não deve praticar corrida, sob o risco de desencadear uma crise. Outras atividades na piscina ou próximas ao ambiente aquático seriam as melhores pedidas.
Artrose
Aqui ocorreu o mesmo, a prescrição foi acertada, musculação em aparelhos, com cargas leves a moderadas e poucas repetições. O problema, novamente, foi a opção de atividade: bicicleta. Considerando que o os membros inferiores sejam acometidos (se forem nos membros superiores pode pedalar a vontade!) o uso da bicicleta irá sobrecarregar tanto a articulação do quadril quanto a do joelho, pela contínua flexão de ambos (sem contar a observação feita sobre a regulagem do selim – mais elevado e para a frente). Uma caminhada seria muito melhor, ainda assim dependendo do grau de acometimento.
Câncer
Tudo perfeito! Aeróbica+musculação+alongamento e como opção caminhada ou bicicleta, em intensidade leve a moderada.
Lombalgia
A indicação foi Pilates. Correto desde que a pessoa fique atenta ao que está na matéria, o programa de exercícios deve ser individualizado e iniciantes devem fazer aula em estúdio. Os exercícios de pilates visam muito o fortalecimento da região abdominal o que auxilia na manutenção da postura ereta e por consequencia na diminuição de lombalgias, mas é preciso ter cuidado, pois muitos dos exercícios de pilates acabam sobrecarregando a coluna de quem não está preparado, causando o efeito oposto. Leia: Pilates e dor nas costas.
Fibromialgia
Aqui também está tudo ok! Hidroginástica e como opção musculação com carga baixa e dança com objetivo recreativo. Leia: Atividade física ajuda quem tem fibromialgia
Hipertensão
A prescrição de caminhada ou corrida + exercícios isotônicos + yoga com ênfase na respiração e meditação foi acertado, faltou apenas dizer para evitar os exercícios isométricos. Como opção aparece a natação e aqui é que mora o problema. A natação pode ser benéfica para o hipertenso, como mostram diversos estudos, mas devem ser tomados alguns cuidados pois inicialmente a imersão na água, principalmente se for aquecida, acarreta sobrecarga cardiorespiratória com aumento da frequência cardíaca podendo trazer consequência graves para o hipertenso não controlado.
Osteopenia
Dança flamenca ou musculação. Eu diria que o inverso é o melhor. Como opção de atividade indicaram a caminhada ao ar livre. Para entender melhor leia: Prevenindo a osteoporose: como o exercício fortalece o ossos?
A mídia tem uma função importantíssima: informar. Na maioria das vezes é através das informações que obtemos de forma impressa ou eletrônica que conseguimos avaliar se estamos sendo orientados pelos profissionais que nos atendem de forma correta, isso em qualquer âmbito e não apenas da saúde. No meu último post “Seu professor da academia está bem preparado?”, recebi algumas críticas questionando como saber se o professor está agindo de forma correta ou não, uma das maneiras seria buscar informações na mídia. E quando a mídia erra? Complicado né?! O jornalista não tem a obrigação de conhecer sobre todos os assuntos, para isso busca fontes, que julga adequadas, para prover essas informações. Neste caso o pecado cometido pela Folha foi correr para o lado mais fácil, profissionais de três academias foram a fonte, além de médicos e fisioterapeutas. Onde está o problema? Na especialização desses profissionais.
Médico: pode indicar a prática de atividade física, pode indicar os limites para essa prática (ex.: frequência cardíaca, ângulo de movimento), mas não pode prescrever e supervisionar a atividade.
Fisioterapeuta: pode prescrever e supervisionar a atividade quando esta visa a reabilitação, não pode prescrever a atividade visando o condicionamento físico.
Educador Físico: Pode indicar a prática de atividade física, pode indicar os limites para essa prática e pode prescrever e supervisionar a atividade ou o exercício com o objetivo recreativo ou de condicionamento físico. Não pode prescrever exercício visando a reabilitação.
Além disso, da mesma forma que um médico ginecologista não seria consultado para uma pauta sobre cardiologia um professor de natação não deveria ser questionado sobre judô ou futebol. Em ambos os casos os profissionais têm a mesma formação básica, mas a específica é bem diferente.
Para essa matéria a Folha Equilíbrio deveria ter buscado as informações com profissionais de Educação Física especializados em Atividade Física Adaptada e Saúde. É uma área ampla, que oferece pós-graduação (especialização) em diversas cidades do país, coordenadas pelo meu querido Prof. Dr. Luzimar Teixeira, grande responsável por despertar meu interesse pela área, desde a graduação, e orientador da minha monografia de pós-graduação. Isso não significa que os professores consultados desconheçam os problemas, mas se é possível encontrar professores que aprofundaram seus estudos em populações com cada uma das patologias citadas, porque não procurá-los?
O resultado está aí, publicado. Quem sai perdendo? Aquele que leu, confiou na informação e deu azar escolhendo justo a atividade menos indicada. Nos resta apenas torcer para que não tenha seu problema de saúde agravado, que encontre um bom professor de educação física que o oriente a tempo e que a mídia busque sua fontes com mais propriedade para não errar da próxima vez.











